Fala, galera do Airsoft! Hoje trazemos uma entrevista exclusiva com a galera da BB21, uma organização que chegou com a missão barulhenta de elevar o nível dos eventos e trazer uma perspectiva totalmente renovada para o Airsoft carioca.
Se você quer entender como funcionam as grandes operações e como dar os primeiros passos no esporte no Rio de Janeiro, cola com a gente nessa conversa!
Sobre o entrevistado
Nome: Fernando Nunes
Cargo/Função na BB21: Proprietário
Tempo de Airsoft: 9 anos
O conceito e a visão da BB21
1. No site de vocês, o grande cartão de visitas é a frase “O Airsoft Carioca em outro nível” e o objetivo de “trazer outra visão para o esporte no Rio de Janeiro”. Na prática, qual é essa nova visão e o que vocês sentiam que faltava no cenário atual que a BB21 veio para preencher?
Acreditamos que o Airsoft pode ser muito mais do que um jogo de eliminação. Nossa proposta é transformar cada evento em uma experiência completa, onde o jogador participa de uma missão com objetivos, tomada de decisões, trabalho em equipe e consequências para a história.
Quando falamos em “outro nível”, não estamos dizendo que queremos fazer tudo diferente do que já existe. O Rio de Janeiro tem excelentes organizadores e campos. O que buscamos é agregar um novo formato, inspirado em grandes operações nacionais, com roteiros bem construídos, organização, pontualidade, material de apoio, identidade visual e uma experiência que comece antes mesmo do dia do evento.
Queremos que o jogador vá para casa lembrando da missão que viveu, e não apenas da quantidade de eliminações que fez.
2. Organizar eventos de Airsoft exige muita responsabilidade e paixão. Como nasceu a ideia de criar a BB21 e quem são as mentes por trás do projeto hoje?
Faço parte da Divisão Nove. Gostamos muito de jogar no Rio e viajar para ir a outras operações. Quando fizemos o aniversário de 1 ano da equipe, nos propusemos a preparar uma operação que as pessoas levassem na memória, e foi o que ocorreu.
A partir desse momento, entendemos que poderíamos preparar mais eventos. Rodrigo fez a provocação: “Por que você não cria uma organização de eventos?”. Daí surgiu a BB21.
BB vem do nome da nossa munição e o 21 vem do nosso DDD de telefone. Acreditamos que bons eventos são resultado de muito trabalho nos bastidores. Cada operação exige tempo de planejamento para que, no dia do jogo, o participante possa simplesmente viver a experiência.
As operações e a imersão
3. Olhando a página de Operações de vocês, fica claro que o foco não é apenas a troca de tiros, mas sim a narrativa, como vimos na saga “Divisão Nove”, com os Crimeanos, o Leviatã e as cinzas radioativas. Como funciona o processo de criação desses enredos? Vocês se inspiram em filmes, livros ou games?
A inspiração vem de todos os lugares. A saga “Divisão Nove” vem de um jogo de tabuleiro chamado Scythe.
Construímos a primeira operação utilizando a ideia principal do jogo, mas os demais eventos foram montados a partir do que ocorreu na primeira operação, permitindo que os operadores acompanhassem uma história durante anos.
Fizemos outras operações inspiradas em combates da vida real, como as Operações Camp Simba e Red Wings.
4. Em operações com histórias contínuas, as ações e vitórias dos jogadores em uma edição afetam diretamente o enredo da próxima? Como vocês gerenciam essa evolução do universo do jogo?
Sim, essa é uma característica muito importante das nossas operações. As decisões tomadas pelos jogadores podem alterar completamente o rumo da história.
Uma facção pode conquistar um território, proteger uma tecnologia, perder um personagem importante ou até provocar uma crise que será o ponto de partida da operação seguinte.
Naturalmente, existe um planejamento geral para a narrativa, mas deixamos espaço para que o resultado em campo realmente influencie a evolução do universo. Isso faz com que o jogador sinta que participou de algo relevante e que suas escolhas tiveram consequências.
Um fato curioso: tem operadores que não aceitam ficar em outros exércitos na operação seguinte. Isso demonstra que estamos no caminho certo!
5. Outro enredo marcante é o da “Operação Faded”, que envolve o desaparecimento de um cientista e um vírus mortal. Como vocês equilibram o combate tático tradicional com elementos de “Live Action Roleplay” (LARP) e missões de inteligência para que o jogador se sinta realmente dentro de um filme?
Nosso objetivo nunca é substituir o Airsoft pelo LARP. O combate continua sendo o elemento principal. O que fazemos é utilizar elementos narrativos para dar contexto às ações.
A Operação Faded foi uma operação que surpreendeu todos os operadores. No briefing, havíamos informado aos exércitos que a comunidade onde o cientista se encontrava estava sob risco. Mas o mapa indicava uma foto de satélite com o campo perfeito, com construções inteiras.
Na noite anterior à operação, soltamos uma foto do campo todo destruído. Ao chegar ao local, os operadores começaram a cumprir os objetivos e foram surpreendidos pelo Predador, que havia destruído a comunidade e que, na verdade, o vírus era algo diferente.
Ninguém tinha ideia do que aconteceria. Acreditamos que é com esses elementos que os operadores deixam a intenção de eliminar o oponente para participar de algo diferente.
No final, queremos que o participante tenha a sensação de ter vivido uma operação militar dentro de um universo de ficção.
6. Além de uma boa história, a imersão visual conta muito. Qual é o maior desafio físico e logístico na produção dos cenários, efeitos e materiais de mídia para entregar um evento de alto padrão no Grande Rio?
Pessoalmente, acredito que o maior desafio está no tempo que estamos tirando da família para dedicar ao esporte. Tenho meu trabalho e uso o tempo, ao chegar em casa, para dedicar à preparação.
Transformar uma história em algo que os operadores possam enxergar, tocar e vivenciar requer muito tempo. Preparar um mapa imersivo com georreferenciamento dá trabalho, assim como preparar bombas eletrônicas e sistemas de detonação.
É um trabalho grande, mas acreditamos que esses detalhes fazem toda a diferença na experiência.
Formação de novos jogadores: Missão Recruta
7. O projeto “Missão Recruta” é um dos pontos altos do trabalho de vocês. O Airsoft às vezes intimida quem está de fora pelo custo ou complexidade. Como surgiu a ideia de criar essa porta de entrada estruturada?
O Rio de Janeiro carece de iniciativas de instrução para novos operadores. No passado, a NCA fazia, mas parou.
O Rodrigo sempre falou sobre a quantidade de pessoas que o procuram para saber como começar. Então, pensamos no projeto para que pessoas que nunca jogaram pudessem ter contato.
Mas também tem foco em dar conhecimento a operadores que já começaram, mas não passaram por algum tipo de iniciação.
Nossa ideia é oferecer um ambiente seguro, organizado e acolhedor, onde qualquer pessoa possa experimentar o esporte utilizando equipamentos de qualidade e recebendo todas as orientações necessárias antes de entrar em campo.
Queremos formar novos jogadores da maneira correta, valorizando principalmente segurança, respeito e espírito esportivo.
8. O programa oferece uma hora de treinamento teórico sobre regras, segurança e equipamentos antes das três horas de jogo prático. Quais são os principais mitos ou medos que vocês costumam desmistificar logo nessa primeira hora com os novatos?
O maior mito é que Airsoft é perigoso. Na verdade, quando todas as regras são respeitadas, trata-se de um esporte extremamente seguro.
Também mostramos que o Airsoft não depende apenas de equipamento caro. Estratégia, comunicação e trabalho em equipe costumam fazer muito mais diferença do que possuir o equipamento mais sofisticado.
Outro ponto importante é ensinar os princípios do esporte, como honestidade ao acusar os disparos, respeito aos adversários e responsabilidade com os equipamentos. Esses valores fazem parte da cultura que queremos fortalecer.
9. O projeto oferece o pacote completo com aluguel de equipamento. Qual tem sido o perfil do público que mais procura o “Missão Recruta”? Vocês têm visto muitas pessoas se apaixonando e, de fato, entrando para o esporte após essa experiência?
Recebemos pessoas com perfis muito diferentes, seja na idade ou nas profissões. Tem quem venha sozinho, grupos de amigos, casais, famílias e até pessoas que conheceram o Airsoft através de vídeos na internet e resolveram experimentar.
O mais gratificante é perceber quantos participantes voltam para jogar novamente. Pensamos muito no crescimento sustentável do esporte.
Muitos acabam adquirindo seus próprios equipamentos, entram para nossa equipe e para equipes amigas. Hoje temos 4 operadores na Divisão Nove que chegaram através da Missão Recruta.
O futuro e a comunidade
10. Para fechar com chave de ouro: o jogador que passa pelo “Missão Recruta” ou que quer começar a frequentar as grandes operações de vocês, qual é o próximo passo? O que o futuro reserva para a BB21 que a comunidade carioca já pode ficar ansiosa esperando?
Depois do Missão Recruta, o jogador já possui uma base sólida para participar de operações abertas e começar a construir sua própria trajetória dentro do esporte.
Quanto ao futuro da BB21, queremos continuar investindo no projeto Missão Recruta, realizando pequenos eventos com frequência e preparando grandes operações cada vez mais imersivas.
Recado final da BB21
Gostaríamos de agradecer ao Airsoft Usado pelo convite e pelo trabalho que realiza fortalecendo a comunidade.
O Airsoft cresce quando existe colaboração entre jogadores, equipes, organizadores, lojistas e criadores de conteúdo. Todos fazemos parte do mesmo ecossistema.
Fica o convite para quem já pratica o esporte e, principalmente, para quem sempre teve curiosidade de conhecer esse universo. As portas da BB21 estão abertas para receber novos operadores.
Nos vemos na próxima missão.
Site da BB21:
www.bb21.com.br
Quer contar a sua história?
Agradecemos ao Fernando Nunes e a toda a equipe da BB21 pela participação, pela disponibilidade e por compartilhar um pouco do trabalho que realizam em favor do Airsoft.
E você, o que tem feito pela comunidade? Participa de uma equipe, organiza eventos, mantém um campo, trabalha com manutenção, produz conteúdo, desenvolve projetos ou ajuda o esporte a crescer de alguma forma?
Queremos conhecer a sua história. Envie uma mensagem para contato@airsoftusado.com.br contando quem você é, o que faz e como contribui para o Airsoft.
O próximo entrevistado do blog Airsoft Usado pode ser você.
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